As criptomoedas oferecem inovações financeiras que vão muito além da criptoeconomia, inspirando o surgimento ou a adequação do mercado financeiro e de outros serviços digitais. É importante conhecer esses novos projetos, entender em que estão se inspirando e quais os potenciais trazidos pelo mundo cripto.

Criptomoedas inspirando o mercado financeiro  e serviços digitais

Diferenciais das criptomoedas

O surgimento do Bitcoin e de todas as criptomoedas que o seguiram foram considerados revolucionários por não estarem vinculados a nenhuma instituição. Essa condição apresenta alguns diferenciais das criptomoedas com relação às moedas tradicionais: a descentralização, o anonimato e a segurança das operações.

A descentralização significa que as criptomoedas não precisam de nenhum Banco Central ou políticas estatais para existirem, e isso facilita muito suas transações. A falta de intermediários também resulta em custos mais baixos para operações e permite que não sofram taxações como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), por exemplo.

O anonimato permite que as operações não demandem informações pessoais de seus usuários.

E, por fim, a tecnologia que sustenta as criptomoedas garante segurança nas transações. Estamos falando do blockchain e de outras tecnologias que surgiram desde a criação do Bitcoin em 2008. A forma com que as transações são armazenadas em um espaço comunitário sem a possibilidade de serem apagadas e ainda ficarem acessíveis e verificáveis a todo público oferece um alto nível de segurança à essas operações.

As inovações associadas às criptomoedas foram fundamentais para formar o segmento da criptoeconomia, no entanto são vários os novos serviços e projetos da economia tradicional que estão se inspirando em algum dos pontos que citamos.

Criptomoedas e moedas digitais

Recentemente um grupo de bancos centrais se reuniu para publicar um novo relatório com princípios que Moedas Digitais do Banco Central precisam cumprir para se alinharem aos objetivos de uma política pública. Essa é uma iniciativa promovida pelos Bancos Centrais do Canadá, EUA, Inglaterra, Japão, Suécia e Suíça em colaboração com o Banco de Compensações Internacionais (BIS) para criarem suas próprias moedas digitais, sem intermediários e com maior segurança para suas populações.

O resultado desse relatório foi determinar que essas moedas digitais devem possuir os seguintes atributos: conversibilidade (devem ser intercambiáveis com dinheiro), conveniência (simples de usar como qualquer outro método de pagamento), instantâneo (liquidadas instantaneamente), escalável (capaz de se expandir para lidar com volumes futuros crescentes), e alta taxa de transferência (devem conseguir processar um número alto de transações ao mesmo tempo).

O que foi concluído é que desenvolver os CBDCs (Central bank digital currencies) pode melhorar os pagamentos internacionais, e ajudar na democratização financeira.

Grande parte desses atributos, com clara exceção à centralização da moeda que estaria vinculada a um banco central, possui inspiração em operações com criptomoedas.

O Banco Sueco já começou a testar seu projeto, chamado de e-krona e o Banco Central Europeu também trabalha em sua proposta denominada de E-euro.

Olli Rehn, presidente do Banco Central da Finlândia, acredita justamente que o euro digital deve estrear de forma complementar ao euro FIAT nos próximos 10 anos.

PIX e a inspiração na estrutura blockchain

O novo sistema de pagamento instantâneo do Banco Central do Brasil também se inspira em alguns atributos da tecnologia do blockchain.

O sistema financeiro tradicional, especialmente o brasileiro, era conhecido por sua lentidão e por sua burocracia cara e confusa para transferir dinheiro. Muitos intermediários, taxas em toda trajetória do dinheiro e o tempo necessário para percorrer todo esse caminho são algumas de suas principais características.

A proposta do PIX é justamente eliminar intermediários (e assim, eliminar custos) e permitir transações P2P em questão de segundos pelo telefone celular, internet banking e caixas eletrônicos.

O Banco Central é a instituição centralizadora dessa operação, e a Cointelegraph afirma que a instituição chegou a considerar a tecnologia blockchain para a operação do PIX, mas decidiu utilizar o certificado digital ICP Brasil. Esse outro sistema oferece uma infraestrutura de chave pública brasileira que já está em vigência no Sistema Nacional de Pagamentos.

O que se pode perceber é que o PIX compartilha de alguns ideais do blockchain e do mundo cripto como a não limitação de horários, de valores e a falta de intermediários para tornar os processos mais rápidos (instantâneos) e mais baratos.

As diversas aplicações do Blockchain

O blockchain é tido como uma tecnologia disruptiva com potencial de aplicação para firmas de diversas naturezas como bancos, seguradoras, e instituições de investimento.

Um dos grandes atrativos da tecnologia é seu potencial para baratear custos de transações. Além disso, a sua atual forma de armazenamento de dados com sistema integrado de colaboradores também abre novos caminhos de utilização.

A JPMorgan, HSBC, Santander, Bank of America, Goldman Sachs, Credit Suisse e Morgan Stanley já estudam desde 2018 formas de implantar blockchain aos seus processos.

O que podemos perceber é que, apesar de incipiente, as criptomoedas e suas tecnologias adjacentes estão conquistando o mercado e conseguindo quebrar barreiras institucionais do sistema financeiro tradicional.

Economistas institucionais chamam essa resistência às mudanças de caminho de dependência (path dependencies), uma abordagem que explica porque é extremamente difícil observar grandes alterações em sistemas, instituições e tecnologias já muito consolidadas. Desta forma, é mais provável que essas instituições sigam caminhos já pré-determinados e conhecidos, do que inovem e sigam outra trajetória tecnológica.

No entanto, algumas propostas incrementais já estão sendo incorporadas, e até mesmo outras consideradas como radicais e disruptivas como o blockchain. O que podemos esperar é que outras inovações sejam absorvidas e que, idealmente, o sistema permita a integração de operações cripto ao processo padrão e possibilite a criação de novos caminhos.

A revolução cripto pode ser ainda maior do que estava sendo esperada.

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